quarta-feira, 25 de abril de 2012

Quando tive que falar... Interrogatório (Renata)




Naquela manhã, apesar da noite mal dormida, o relógio despertou às 06h00min, como de costume. Coei o café, tomei uma xícara e fui tomar meu banho, precisava, além de acordar, me renovar. Tive que desligar o chuveiro, colocar um roupão e ir atender a porta, pois por incrível que pareça, a campainha estava tocando. Era ele, estendido na porta com a mesma roupa que vestiu às pressas na noite anterior. Toquei seu rosto, estava gélido.  Um grito foi sufocado logo que chegou à minha garganta. Disquei para a polícia e alguém do outro lado atendeu. Relatei o óbvio: tratava-se de um estranho que encontrei na porta de casa. Fui instada a comparecer à delegacia e lá fui interrogada pela primeira de muitas vezes pelo delegado de plantão:

Delegado: a senhora conhecia o homem que encontrou morto na porta de sua casa?

Eu: nem de vista.

Delegado: a senhora não ficou assustada quando o viu, morto, ao abrir a porta?

Eu: sim, claro que sim.

Delegado: E porque não gritou? Não chamou algum vizinho?

Eu: Não gritei... Ah...não sei. Acho que o choque foi tão violento que fiquei sem voz. Os vizinhos, não conheço, sou nova naquela rua, saio muito cedo para trabalhar e só volto à noite.

Delegado: A senhora estava sozinha em casa quando encontrou o cadáver?

Eu: Sim, eu estava, naquela hora, antes também, sabe, eu moro sozinha.

Delegado: E não ficou com medo de abrir a porta tão cedo? Ainda estava um pouco escuro, final de horário de verão...

Eu: eu não pensei em perigo não.

Delegado: e durante a noite, a senhora ouviu alguma coisa?

Eu: só um carro passando umas duas horas antes.

Delegado: mas é uma rua movimentada, como a senhora distinguiu um carro específico?

Eu: eu não distingui não, acho que é coisa da minha cabeça.

Delegado: por enquanto paramos por aqui. Vamos aguardar até a semana que vem, vou notificá-la para comparecer novamente...

Eu: Isso é mesmo necessário?

Eu tinha calafrios por dentro, afinal eu não havia passado a noite sozinha.





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