Naquela
manhã, apesar da noite mal dormida, o relógio despertou às 06h00min, como de
costume. Coei o café, tomei uma xícara e fui tomar meu banho, precisava, além
de acordar, me renovar. Tive que desligar o chuveiro, colocar um roupão e ir
atender a porta, pois por incrível que pareça, a campainha estava tocando. Era
ele, estendido na porta com a mesma roupa que vestiu às pressas na noite
anterior. Toquei seu rosto, estava gélido.
Um grito foi sufocado logo que chegou à minha garganta. Disquei para a
polícia e alguém do outro lado atendeu. Relatei o óbvio: tratava-se de um
estranho que encontrei na porta de casa. Fui instada a comparecer à delegacia e
lá fui interrogada pela primeira de muitas vezes pelo delegado de plantão:
Delegado: a
senhora conhecia o homem que encontrou morto na porta de sua casa?
Eu: nem de
vista.
Delegado: a
senhora não ficou assustada quando o viu, morto, ao abrir a porta?
Eu: sim,
claro que sim.
Delegado: E
porque não gritou? Não chamou algum vizinho?
Eu: Não
gritei... Ah...não sei. Acho que o choque foi tão violento que fiquei sem voz.
Os vizinhos, não conheço, sou nova naquela rua, saio muito cedo para trabalhar
e só volto à noite.
Delegado: A
senhora estava sozinha em casa quando encontrou o cadáver?
Eu: Sim, eu
estava, naquela hora, antes também, sabe, eu moro sozinha.
Delegado: E
não ficou com medo de abrir a porta tão cedo? Ainda estava um pouco escuro,
final de horário de verão...
Eu: eu não
pensei em perigo não.
Delegado: e
durante a noite, a senhora ouviu alguma coisa?
Eu: só um
carro passando umas duas horas antes.
Delegado:
mas é uma rua movimentada, como a senhora distinguiu um carro específico?
Eu: eu não
distingui não, acho que é coisa da minha cabeça.
Delegado:
por enquanto paramos por aqui. Vamos aguardar até a semana que vem, vou
notificá-la para comparecer novamente...
Eu: Isso é
mesmo necessário?
Eu tinha
calafrios por dentro, afinal eu não havia passado a noite sozinha.
|
Este é um blog voltado à leitura e à escrita no contexto digital. Nossos colaboradores são os professores: Paulo, Mônica, Maria Regina, Sandra, Renata e Luciana, todos da rede estadual de ensino e interessados em se apropriarem de novas formas de leitura e escrita na atual sociedade da informação e do conhecimento. Esperamos que este blog cresça e apareça como toda boa leitura e que muitos venham nos visitar e compartilhar desse prazer...
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Quando tive que falar... Interrogatório (Renata)
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário